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A melhor bifana do mundo é do Benfica!

A Casa do Benfica na Batalha tem a melhor bifana do mundo

Houve um dia que, nos meus deambulanços pelo asfalto português, fui parar à Batalha, mais precisamente à Casa do Benfica – que tem a melhor bifana do mundo! Tenho uma certa familiaridade com as sinaléticas da A8, mas nunca me tinha dado para um devaneio viajante assim de realeza mais histórica.

No meio do zapping radiofónico, que me obrigava a ouvir poluição sonora ao estilo reggaetónico, o Mosteiro da Batalha surgiu imponente no horizonte. Dado que, nesse dia, a minha persona emocional estava um pouco à semelhança das ruínas de Conímbriga, foi um tanto majestoso deparar-me com aquele pedaço de pedra intacto, inquebrável aos campos de batalha de uma vida e, ao mesmo tempo, moldado pelas excentricidades de góticos, manuelinos e renascentistas.

O estômago roncava. Sabe o túmulo de Filipa de Lencastre há quantas horas não dava largas aos sucos gástricos. As redondezas eram acolhedoras, bem arranjadas e de arquitetura simples, curvando sempre o protagonismo ao Mosteiro que se impunha a jeito em todas as esquinas. Dei duas ou três voltas de reconhecimento, estacionei e entrei na Casa do Benfica. Meia dúzia de locais assistiam ao programa futebolístico da época, deglutindo os nervos na dose recomendada de jolas por jogo. 

“É uma bifana anti-semítica e a saciação é garantida”

Ora a Casa do Benfica da Batalha serve a melhor bifana do mundo. Pelo menos do meu, e olhem que eu já comi muitas. Para além de se perceber logo na primeria trinca a qualidade premium da carne, vem simplesmente temperada com sal q.b. e extremamente bem aviada. No meio da carcaça não está só um, mas dois bifes de dimensão generosa que excedem (e bem) as bordas da carcaça. É uma bifana anti-semítica e a saciação é garantida, não é preciso mandar vir outra porque a primeira “não coube na cova de um dente” como acontece por vezes em roulottes alheias.

A Casa do Benfica em si, foi das mais catitas que já vi. Moderna, com materiais atuais, placards com lendas do Benfica, bandeiras por todo o teto e uma pequena loja de artigos benfiquistas no recanto. Asseada e bem tratada, não tinha aspeto de tasco clandestino na lista negra da ASAE. A colmatar, havia o sorriso aberto e hospitaleiro do casal atrás do balcão. 

No meio disto tudo, não visitei o Mosteiro na sua íntegra, mas creio que esse nunca foi o meu objetivo quando ali cheguei, se é que tinha algum. Uma coisa é certa, saciei a fome e aos poucos reconstitui Conímbriga num claustro mais estável. No fundo, não é só na almofada que estão os bons conselhos, um pitéu por vezes serve esse efeito e a fé no Bruno Lage também.

Desvios no caminho, finto-os todos. Nem todas as nossas tentivas de golo vão trespassar a linha de baliza e a vida nunca é acerca do destino final.

Grandes equipas não se fazem só de momentos de vitória. As derrotas farão sempre parte de qualquer jornada e podemos sempre colocar uns apontamentos “doces” a qualquer momento mais “agri” ou azedo. As bifanas da Casa do Benfica na Batalha estão sempre prontas para este efeito. A simpatia do Pedro e do Ricardo também!

Artigo publicado do Jornal de Leiria
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Maria Bonifácio Lopes

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